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Portada

Número 8

Novembro 2016

Santiago de Chile

Cidades de autor

SANTIAGO DE CHILE E VALPARAISO

Viagem ao inferno

Aventura

O Porto adianta o relógio

Escapadas

Tome um banho (de floresta)

Tendências

Resumo

Magazine

Resumo

Resumo

Número 8

Santiago de chile e valparaiso

Cidades de autor

A capital do país mais longo e estreito do planeta renasceu várias vezes. Cosmopolita e acolhedora, faz um convite para conhecer sua memória e seu futuro.

Federico Sánchez

“O homem não existe nu”

Seja em seu programa de televisão, “City Tour”, ou como reitor do Campus Creativo da Universidade Andrés Bello, Federico Sánchez ensina a pensar sobre onde e como vivemos.nsar en dónde y cómo habitamos.

Aventura

Viagem ao inferno

A depressão de Danakil, no Chifre da África, é um dos pontos mais quentes do planeta. O local tem apenas 60 mil habitantes, mas são muito menos os que se atrevem a visitá-lo.

Escapadas

O Porto adianta o relógio

Nasceu o Porto cool. A cidade com a saudade mais vetusta do mundo é também aquela com o coração indie e artístico mais palpitante: festivais, arte e petiscos.

Praias

Bodrum, Saint-Tropez da Turquia

É o “paraíso de azuis eternos”, segundo Homero. Dez séculos depois, a cidade portuária turca atrai, por outros motivos, curiosos, bon-vivants e jet-setters que aumentam seu censo todos os verões.

Tendências

Tome um banho (de floresta)

Para fazer terapia, não é preciso deitar no divã. No Japão, o melhor método antiestresse é passear entre as árvores com os cinco sentidos bem aguçados.

Cultura

Parede feita de quadrinhos

Los pitufos, Lucky Luke, Astérix, Tintín… Hay una manera diferente de leer cómics, basta con pasearse por Bruselas.

Top 6a

Vendo a vida em cor-de-rosa

Já cantava a francesa Edith Piaf, que não há nada como ver “a vie en rose”. Alguns lugares tomam a frase ao pé da letra.

Travelbeats

Aqui, estão à sua espera os hotéis e os restaurantes da moda, as galerias mais inovadoras, novas aberturas e os lugares mais it do planeta.

Bazar

Vai viajar? Antes de fechar a mala, assegure-se de que não se esqueceu das nossas sugestões essenciais.

Equipa

O Conteúdo da presente publicação digital (www.passenger6a.com) foi disponibilizado pela CENTRO DE INFORMACIÓN TURÍSTICA FEED BACK S.L., com sede na C/ Santiago Bernabeu, 10, 3º - B, Madrid 28036 e CIF B-82065137 (doravante, “TRAVELVIEW”).   A TRAVELVIEW é a detentora de todo o Conteúdo da publicação digital, em particular, imagens, vídeos, artigos e conteúdos editoriais de Informação Turística variada.  A TRAVELVIEW produziu, de modo simplesmente informativo, o Conteúdo da publicação digital, em particular, imagens, vídeos, artigos e conteúdos editoriais de Informação Turística variada, cabendo aos Utilizadores a responsabilidade de se informarem e cumprirem os requisitos necessários para a realização de qualquer viagem (em relação a passaporte, vistos, vacinas, etc.).  TUI Spain S.L.U, sociedade sediada na Calle Mesena, 22, 2º Derecha, 28033 – Madrid (Espanha), é a concessionária exclusiva do referido Conteúdo.  Assim, autoriza-se a visualização e o download do Conteúdo desta publicação digital apenas para uso pessoal e não para uso comercial. Os Utilizadores não poderão, em caso algum, transferir o referido Conteúdo para terceiros, pessoas ou entidades. Do mesmo modo, está expressamente proibido copiar, distribuir, alterar, reproduzir, transmitir, publicar, ceder ou vender o Conteúdo contido nesta publicação digital, bem como criar novos produtos ou serviços a partir do Conteúdo desta publicação digital.\n

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Javier García

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Sergio Cieza

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Programadora

Carlos Luján

Photo editor

Beatriz Iznaola

Account Executive

Laura García

Account Executive

Reportagem-Santiago de Chile

Magazine

Destino

Cidades de autor

Santiago de Chile e Valparaiso

Texto:

Martín García Almeida

Fotos:

Kreativa Visual

Vídeo:

Kreativa Visual

A capital do país mais longo e estreito do planeta renasceu várias vezes. Cosmopolita e acolhedora, faz um convite para conhecer sua memória e seu futuro.\n

S

antiago venceu sua própria natureza. Os arranha-céus desafiam uma terra sísmica que a arquitetura e a engenharia quiseram domesticar. A capital do Chile tornou-se imponente, sede do edifício mais alto da América Latina: a Torre 2, do Costanera Center, com 300 metros. A construção está localizada no bairro financeiro do município, região que foi inclusive apelidada, ironicamente, de “Sanhattan” (mistura de Santiago com Manhattan), pela quantidade e pela altura dos novos prédios.\n

Parece que a cidade quis ser muitas outras antes de ser aquilo que é hoje.

Delineada ao longe, a cordilheira dos Andes faz-se notar como uma grande muralha natural que separa o Chile da Argentina. Suas dimensões colocam a grandeza da cidade em perspectiva, fazendo um verdadeiro convite para conhecer sua faceta mais humana e se perder por seus genuínos bairros cheios de vida.\n

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Passeando por Santiago, parece que esta cidade quis ser outras antes de se tornar aquela que é hoje: uma urbe majestosa onde vive um terço da população chilena. Edifícios neoclássicos do início do século XIX, que parecem evocar formas semelhantes às dos centros históricos europeus, convivem com outros mais ecléticos. Já os mais recentes convocam outras linguagens arquitetônicas, chegando a exibir detalhes pós-modernos. Além de todas as tendências que podem ser vistas em fachadas ou espaços públicos, Santiago oferece exemplos singulares do que pode ser chamado de arquitetura de autor. Mathias Klotz, Smiljan Radic, Alejandro Aravena - vencedor do prêmio internacional de arquitetura Pritzker 2016 -, Sebastián Irarrázaval ou Felipe Assadi são alguns dos representantes destacados de uma geração de arquitetos que colocaram a arquitetura contemporânea chilena entre as melhores do mundo.\n

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Foto: Pontificia Universidad Católica de Chile via Visual hunt / CC BY-NC-SA

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Arquitetura de Nobel

O arquiteto Alejandro Aravena (Santiago, 22 de junho de 1967) recebeu o prêmio Pritzker 2016, considerado o Nobel da arquitetura. Ele dirige o coletivo Elemental, com sede em Santiago, e foi diretor artístico da XV Bienal de Arquitetura de Veneza, realizada também em 2016. A filosofia do seu estúdio é propor solucões reais para problemas reais. Por isso, dedica especial atenção a projetos de impacto social e interesse público, por exemplo o de moradias sociais. Embora seja um reconhecimento individual, o prêmio demonstra o potencial da arquitetura chilena no mundo.\n

A renovação constante de Santiago pode ser vista em sua região central, reconstruída por completo no princípio do século XX com uma característica especial: uma rede de corredores comerciais interiores que permitem cruzá-la sem caminhar pelas ruas. No centro, é imprescindível visitar a Praça de Armas, o Palácio de La Moneda e um conjunto belíssimo de praças composto pelas praças da Constituição e da Cidadania, onde fica também o Centro Cultural La Moneda, fantástica obra arquitetônica que acolhe eventos culturais.\n

Outro lugar imprescindível da Santiago mais contemporânea é o “bairro-museu”, conjunto de quatro ou cinco quarteirões que resume a história do Chile dos últimos 100 anos. Ali, fica o Museu Nacional de Belas Artes, projeto do arquiteto francês Emile Jéquier inspirado no seu equivalente de Paris, na França: o Petit Palais. Tudo isso no contexto do Parque Florestal, criado para comemorar o primeiro centenário da república. Ao chegar à Alameda, avenida mais importante da cidade, com quase oito quilômetros de extensão, e seguindo o leito de um braço seco do rio Mapocho, encontramos o Centro Cultural Gabriela Mistral (GAM), construído na década de 1970 em tempo recorde graças à colaboração de voluntários. Foi sede da Conferência Mundial do Comércio e transformou-se em um dos projetos emblemáticos do governo de Salvador Allende, que o transformou em Centro Cultural Metropolitano em homenagem à poetisa e prêmio Nobel Gabriela Mistral. Durante a ditadura, no entanto, foi sede de vários ministérios, entre eles o da Defesa. Em 2006, um incêndio ofereceu a oportunidade de reconstruí-lo para que recuperasse sua função original e, hoje, simboliza o renascimento da vida cultural e artística chilena, que tem cada vez mais projeção internacional.

O Cerro San Cristóbal, parte de um conjunto de montanhas locais, é o parque metropolitano de Santiago é um dos maiores do mundo. Sua altitude permite contemplar toda a paisagem local, incluindo outro importante monte que circunda Santiago, o Cerro Santa Lucía, em cuja base o conquistador espanhol Pedro de Valdivia montou seu acampamento.

Nós "acampamos" no Mercado Central de Santiago. Desde sua construção, em 1972, o lugar foi se transformando em uma das atrações turísticas principais da cidade. Nele, pudemos experimentar pratos e produtos tipicamente chilenos como o picoroco, crustáceo que só existe na costa do Chile e que, conforme insiste Pancho Rojas, vendedor de mariscos do local, “é muito mais afrodisíaco que o amor”.\n

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Capital chilena do grafite

Valparaíso é o paraíso do grafite, um museu ao ar livre com vistas para o mar. Em algumas de suas colinas, como Placeres, Alegre, Barón, Cordillera ou Concepción, existe a possibilidade de fazer roteiros guiados para conhecer os diferentes autores e estilos desta arte urbana. As tradicionais fachadas coloridas de Valparaíso transformaram-se em uma tela gigante para os sprays de pintura. Assim como diversos outros elementos urbanos. Considerada uma sobredose cromática por alguns, esta via de expressão é um atrativo para quem deseja viver a singular experiência de “Valpo”.\n

Valparaíso: entre barcos e colinas

Patrimônio da Humanidade desde 2003, Valparaíso está a uma hora e meia de carro de Santiago. Esta cidade portuária em permanente reconstrução é formada por 45 colinas devidamente nomeadas e com características únicas. O monte Alegre, com casas coloridas; a colina Placeres, a mais visitada pelos marinheiros depois de longas travessias; Concepción, que reúne o maior número de grafites, etc.
Valparaíso tem a estrutura de um teatro romano onde o palco é o mar. A arquitetura, vertical e eclética, ganhou forma a partir da disposição do terreno e dos materiais que chegavam dos barcos. As casas de madeira do início do século passado, por exemplo, foram construídas com pinheiros e carvalhos que serviam de lastro para os barcos que transportavam minerais chilenos. As chapas de metal que revestem muitos edifícios também têm sua origem nesse mesmo lastro. Até a variedade de cores das fachadas que compõem a identidade própria de Valparaíso - ou “Valpo”, como é chamada pelos locais - é explicada pelos excedentes de tinta das embarcações.
Os elevadores e funiculares para subir às colinas não são apenas uma atração turística: mantêm sua função original. A partir deles, percebemos a poesia que ainda envolve o lugar. Aqui, o poeta Pablo Neruda também escreveu alguns dos seus versos mais importantes. Na sua casa La Sebastiana, atualmente aberta para visitação, é possível ler a seguinte inscrição: “Estamos tão ao sul que estamos caindo do mapa…”.\n

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Entrevista-Federico Sánchez

Magazine

Entrevista

“O homem não existe nu”

passageiro do mês

Federico Sánchez

Seja em seu programa de televisão, “City Tour”, ou como reitor do Campus Creativo da Universidade Andrés Bello, Federico Sánchez ensina a pensar sobre onde e como vivemos.\n

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O objetivo de Federico Sánchez ao estudar arquitetura não era ser arquiteto. Era conhecer melhor os conceitos que a acompanham, suas formas de expressão e seu conteúdo. “Descobri que a arquitetura era muito mais valiosa e importante do que fazer uma casa ou um edifício ou, no melhor dos casos, uma ponte, mesmo que as pontes sejam mágicas: essa maravilha, como diz Heidegger, de construir chão onde ele não existe. Eu gosto de pensar. Gosto dessa atividade que quase chega ao não ser.”\n

Começou a estudar design por sua paixão pelos carros. “Os automóveis condensam a história da arte do século XX", afirma. “São a expressão máxima do processo de democratização da arte.” Chegou à arquitetura aconselhado por seus professores, mas defende que a formação é a busca de um caminho próprio não necessariamente linear. “Enquanto estudava arquitetura, continuava interessado em design, na arte; assistia a todas as aulas de gravura e desenho. Também me interessava pela filosofia e literatura. Queria aprender de maneira genuína. Estava interessado em perder o tempo sistematicamente, comprometidamente, e assim abrir um caminho próprio para mim.”

Como reitor do Campus Creativo, uma experiência acadêmica da Universidade Andrés Bello que vincula, em um mesmo espaço, disciplinas criativas como arquitetura, arte, design, jornalismo e publicidade, parece ter encontrado um lugar excepcional onde conviver com algumas das suas paixões.

Federico Sánchez chegou ao Chile aos 14 anos, vindo da Argentina. “Há 40 anos, eram países muito diferentes. Na Argentina, a diferença era um valor; e no Chile, nesse período, a diferença era severamente castigada. Tive de lutar para acabar sendo quem sou.” Sua aparência atual, bastante cuidada, elegante e inteligentemente concebida, parece o resultado de uma procura por distintas obsessões, uma imagem fabricada que transmite a verdade de uma reflexão. “A superfície é portadora da essência das coisas. Não acredito que a essência seja algo transparente que esteja no interior e que apenas apareça em momentos de iluminação. A superfície é portadora da essência e, nesse sentido, é o fio da narrativa de quem quero ser. Portanto, o vestuário é um elemento fundamental em um plano existencial. De fato, o homem não existe nu. O homem existe vestido.”\n

É difícil avançar pelas ruas de Santiago acompanhando Federico Sánchez. A cada passo que dá, alguém o cumprimenta, quer tirar uma fotografia com ele ou faz perguntas sobre o edifício que tenta nos mostrar. Nosso Passenger 6A apresenta, há vários anos, um programa de televisão chamado “City Tour”, atração na qual expõe os valores arquitetônicos e urbanísticos de Santiago. Com formato despreocupado e uma clara vocação pedagógica, mostra aos chilenos a importância de pensar sobre onde e como vivemos.

Não há quem não o adore. É nosso guia pelas ruas do “bairro-museu”, um dos locais que considera imprescindíveis na capital. “Aqui, surgiram uma série de hotéis com propostas interessantes, ótimos restaurantes, bares divertidos e excelentes galerias de arte, foto e design gráfico; há uma agitação noturna extraordinária e existe uma vida urbana e uma efervescência cultural deliciosas.”\n

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Federico ama sua cidade e defende o valor da arquitetura chilena no mundo. “No Chile, temos uma arquitetura de autor que é das melhores do mundo: Mathias Klotz, Smiljan Radic… e, agora, Alejandro Aravena, que é prêmio Pritzker. Há variadíssimos arquitetos chilenos de uma geração extraordinária que posicionaram a arquitetura chilena entre as melhores do mundo. É uma arquitetura capaz de reinterpretar uma série de valores e ideais da modernidade. Para mim, o interessante do nosso país é que, tal como os ingleses criaram o conceito high-tech, nós, aparentemente, criamos uma arquitetura de uma sofisticação maravilhosa baseada no low-tech. E isso é fantástico.”\n

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Aventura

Magazine

Aventura

Viagem ao inferno

A depressão de Danakil, no Chifre da África, é um dos pontos mais quentes do planeta. O local tem apenas 60 mil habitantes, mas são muito menos os que se atrevem a visitá-lo.\n

O

termômetro marca 51ºC às quatro da tarde. O deserto de Danakil é conhecido como o “inferno na Terra”. Atravessá-lo é seguir os passos de Rimbaud que, quando se cansou de escrever poemas.\n

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Debaixo do sol abrasador as temperaturas alcançam os 63ºC e no verão nunca descem dos 40ºC. Uma verdadeira prova de resistência para um faranji, nome que os etíopes dão aos estrangeiros. Dallol é a cratera vulcânica situada na depressão de Danakil e tem o recorde da mais alta temperatura anual alguma vez registrada.\n

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Para visitar o deserto do Danakil

É necessário uma autorização das autoridades locais (que se pode pedir no momento) e contratar uma pequena escolta militar (mínimo de dois soldados). É imprescindível alugar todo o terreno com os serviços de um motorista ou de um guia que conheça bem o lugar.\n

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Dallol é a cratera vulcânica situada na depressão de Danakil e tem o recorde da mais alta temperatura anual alguma vez registrada.

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Aventurar-se neste lugar inóspito exige medidas de segurança. “Ficar sem veículo de apoio, sem comunicação via satélite ou sem água pode ser mortal”, avisa um dos guias. São necessários 500 litros de água para cada oito pessoas. Explorar Danakil em grupo não é para qualquer um, viajar sozinho, então, é uma realidade quase inimaginável. Na viagem é ainda necessário ser acompanhado por uma escolta militar formada por três soldados. A contratação dos militares é imprescindível para evitar incidentes com a população local.


O deserto de Danakil localiza-se na depressão com o mesmo nome. Ocupa, no Chifre da África, parte da Etiópia, Eritreia e Djibuti. O surrealismo da paisagem compensa a dureza do clima, com as suas cores vivas e contornos impossíveis. A paisagem passa drasticamente da brancura impoluta dos seus lagos de sal, aos mananciais de cores do Dallol, a região vulcânica. Estamos no ponto mais baixo de África, a 125 metros abaixo do nível do mar. Não será difícil descuidar-se e meter o pé num gêiser fumegante. As lagoas queimam e são alaranjadas, verdes, vermelhas ou amarelo borbulhante, devido ao sulfeto e ao enxofre que impregnam a atmosfera de um odor intenso. Neste ambiente os rugidos vindos do interior da terra são os únicos a quebrar o silêncio.
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A temperatura média anual do Danakil é de 34ºC. É qualificado pelo governo da Etiópia como ‘área sensível’.

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Há mais de 30 vulcões ativos no Danakil. Erta Ale é o mais ativo da Etiópia. A sua alcunha, “porta do inferno”, intimida, apesar de ser um dos menores vulcões do mundo, com apenas 613 metros de altura. É preciso esperar pela noite para subir à caldeira do Erta Ale e observar de perto a lava que se acumula na sua cratera até formar um lago. Em todo o mundo só existem quatro vulcões deste gênero e este é o mais antigo.

Danakil é a terra dos afar, tribo seminômade de pastores que vivem neste submundo. Ali Noor tinha 14 anos quando começou a extrair sal como forma de subsistência. Fá-lo unicamente com a ajuda de um bastão e de uma faca de mato: “Por vezes esqueces o calor”, sussurra, sem deixar de picar a terra. Quando a água dos lagos se evapora, forma-se uma crosta de sal. Consideram-no o “ouro branco”. Os trabalhadores cortam-no em blocos e transportam-no nos seus camelos. É então que começa a viagem até à cidade de Berahile, onde descarregam o sal para que os especialistas transformem os blocos em lingotes. São as caravanas do sal do Danakil. Os afar vivem o presente repetindo o passado, mas este é o seu único futuro.
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A última erupção do vulcão Erta Ale foi em 2009.

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Dormindo sob as estrelas

Para viajantes experientes e épocas menos quentes (novembro a fevereiro) existem percursos de vários dias que permitem visitar o Erta Ale. Dorme-se ao relento, num acampamento à entrada do deserto do sal. É preciso alugar dois veículos: um para se deslocar e outro para o pessoal auxiliar e para o equipamento.\n

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Escapadas

Magazine

Escapadas

O Porto adianta o relógio

Nasceu o Porto cool. A cidade com a saudade mais vetusta do mundo é também aquela com o coração indie e artístico mais palpitante: festivais, arte e petiscos.\n

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Muita culinária nos petiscos

Os petiscos, versão portuguesa do aperitivo, arrasam no Porto em lugares como os Caldeireiros, com a sua salsicha de carne branca, a Trasca, com uma grande variedade e preços a partir de 1,50 EUR, e a Cantina 32, decorada com motivos industriais, com propostas vanguardistas em doses para compartilhar.\n

O

porto retrocede no tempo. A primeira vez que estive na cidade que deu o nome a Portugal, pareceu-me que tudo tinha parado nos anos 80: o grafismo dos letreiros, o asfalto das ruas e a decoração de todos os cafés do bairro. Nesta última viagem já vão pelos 60: a lentidão, as lojas com o bacalhau ao ar, as senhoras de lenço na cabeça e os comércios que vendem artigos como ratoeiras. Neste contexto, descobrir que existe o Porto moderno, onde se dirigem os jovens para assistir ao festival Primavera Sound não pode ser mais paradoxal.

O coração que começou a bombear modernidade a esta cidade, Patrimônio da Humanidade, está no Museu de Serralves. Este edifício de traços vanguardistas, desenhado nos anos 90 pelo prêmio Pritzker Álvaro de Siza Vieira, converteu-se no símbolo da arte contemporânea do país. Em volta da sua mansão art déco estendem-se 18 ha de parque ajardinado povoado de esculturas.\n

Há outros exemplos de bom gosto contemporâneo que escandalizam a velha Porto: a Casa da Música, do holandês Rem Koolhaas, em formato de diamante, e as coloridas fachadas das casas populares da Ribeira. Do arquiteto português Eduardo Souto Moura, também vencedor do Pritzker, é a recuperação da Alfândega do Porto, que alberga o Museu de Transportes e Comunicações, a porta de entrada da cidade mais moderna. Desde aí, nas ruas em redor da Torre dos Clérigos, surgem os estabelecimentos mais modernos que abriram nos últimos anos: salas de concertos, bares, clubs, restaurantes com culinária exclusiva, lojas de cupcakes, vinotecas com referências do Douro, Alentejo ou Dão e boutiques.\n

Foto: SamuelZeller_Unsplash

As cores das casas populares da Ribeira são compostas por diversos materiais e por azulejos, um elemento decorativo clássico no Porto.

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No Gallery Hostel “cada quarto conta uma história”. Os do edifício principal são um tributo às diferentes gerações de artistas da cidade.

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É igualmente o cenário dos pequenos mercadinhos urbanos, onde perder-se até encontrar alguma joia de design artesanal. A livraria Lello, com a sua fachada neogótica, sobressai na Rua das Carmelitas. Homenageia as letras desde 1906 e cerca de 4000 turistas visitam todos os dias esta livraria, uma das mais bonitas do mundo. Muito perto daí, encontra-se o BASE, um bar-jardim ao ar livre que convida a deitar-se ao sol portuense.

Contudo, a rua onde o Porto demonstra definitivamente o seu poder cool é Miguel Bombarda, da qual se diz ser a rua com mais galerias de arte da Europa. Cafés, workshops, lojas ecológicas, pátios e jardins interiores que se enchem um sábado a cada dois meses, quando as galerias inauguram as suas exposições. O catálogo inclui a O! Galeria, dedicada à ilustração portuguesa, a Serpente, onde convivem a pintura e as instalações de videoarte, e a Quadrado Azul, onde também podemos encontrar colagens e fotografia. A região está inundada de arte urbana, grafites, adesivos e mosaicos. Há ainda espaço para a moda na mundana Muuda, para os pequenos objetos de design na singular Águas Furtadas e para uma refinada cerimônia de chá na Rota do Chá: três andares e um jardim de puro oásis asiático, nunca visto na tradicional capital atlântica.\n

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O coração que começou a bombear modernidade a esta cidade, Patrimônio da Humanidade, está no Museu de Serralves.

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Dormindo em meio a arte

O hotel mais artie do Porto é o Gallery Hostel, em Miguel Bombarda, galeria de arte e hotel num excêntrico edifício de 1906, no qual se realizam regularmente atividades culturais. Rosa et Ao, na Rua do Rosário, organiza exposições num ambiente caseiro de design vintage.\n

Praias

Magazine

Praias

Bodrum, Saint-Tropez da Turquia

É o “paraíso de azuis eternos”, segundo Homero. Dez séculos depois, a cidade portuária turca atrai, por outros motivos, curiosos, bon-vivants e jet-setters que aumentam seu censo todos os verões.\n

"Seu estado de espírito é seu destino”, dizia o historiador grego Heródoto, originário daquela região que, então, era conhecida como Halicarnasso. Na atual Bodrum, é o destino que dita o espírito, com sua alegria de viver e exuberância louca.\n

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Embora, hoje, esta floresta esteja associada à diversão e ao prazer mais exclusivos, era, até poucos anos atrás, uma aldeia de pescadores na qual se exilavam dissidentes da então recém-nascida República da Turquia. Um deles, o escritor Cevat Şakir Kabaağaçlı, chegou a Bodrum em 1925. Foi tal sua paixão pelo lugar que contagiou toda uma geração de artistas e escritores, que têm marcado encontros por aqui desde meados dos anos 40.\n

Vêm pelo clima, pela magnífica baía e pelas águas límpidas

Este foi o despertar da lenda de Bodrum, mas não da sua história. Seu passado glorioso ainda pode ser lido nas pedras. Locais como o Mausoléu de Halicarnasso, uma das sete maravilhas do mundo antigo, ou o Castelo de São Pedro, construído com os cavaleiros de Malta e que hoje funciona como Museu de Arqueologia Submarina, são duas das suas heranças.\n

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Resorts da costa de diferentes redes hoteleiras internacionais oferecem comodidades de todo tipo.

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A maioria dos visitantes não procuram os vestígios da invasão de Alexandre Magno; vêm pelo clima, pela magnífica baía e pelas águas límpidas. Mas também devido à gentrificação de elevado poder de compra a que tem assistido nos últimos anos. Os modernos arqueólogos de tendências fazem descobertas como a discoteca mais famosa do país, Halikarnas, e o seu restaurante posh, Secret Garden, desenhado por Jade Jagger; ou o Billionaire Club, onde Flavio Briatore reinventou as regras do elitismo e do glamour. Um clube em uma ilha privada, com uma piscina de 700 m2, onde modelos, famosos e pessoas bonitas dançam ao ritmo comandado pelo DJ.\n

Para shopping victims

Kusadasi fica a 100 km ao norte de Bodrum. É uma antiga aldeia de pescadores e atual balneário, onde cruzeiros do mundo inteiro fazem escala por sua proximidade com as ruínas de Éfeso. É famosa, sobretudo, pela concentração de lojas de materiais têxteis, objetos de couro, cerâmica e joias.\n

Esta zona do Egeu é conhecida como “a Riviera turca”.

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Todos os dias, chegam a Bodrum centenas de turistas, na sua maioria jovens à procura de diversão. Invadem as praias, nadam durante o dia e, na agitação da noite, marcam presença nos bistrôs ao ar livre, nas discotecas e nos bares das ruas Cumhuriyet e Dr. Alim Bey, divertindo-se até o sol raiar. No porto de Palmarina, rivalizam entre si os últimos iates apresentados no Miami Yacht Show, no meio do caminho entre a elegância e o bling bling mais ostentoso. Os amantes dos esportes náuticos menos abastados podem fazer o aluguel diário de escunas e percorrer as deliciosas enseadas e ilhéus do litoral.

A península de Bodrum é uma coleção de belas praias de nomes difíceis de pronunciar para os estrangeiros: Bardakçi, Gümbet, Akbuk, Aktur, Bagla, Akyarlar… A de Ortakent surpreende por ser interminável; Karaincir, pela sensação paradisíaca e por sua dolce vita única, sendo a melhor promessa de passeios dedicados ao dolce far niente e a animadas noites de música em companhia que glorificam a juventude e a beleza. Este é o espírito de Bodrum.\n

Em Bodrum, podemos praticar esportes como o flyboard.

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Clube náutico exclusivo

Yalikavak, um dos lugares turcos mais exclusivos, está a 8 km do centro de Bodrum. Combina o encanto tradicional dos moinhos de vento com a modernidade do porto náutico de Palmarina e uma oferta gastronômica internacional. É uma das joias imobiliárias do país, com áreas residenciais e coberturas de filme.
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O Castelo de São Pedro foi reconstruído com as pedras do Mausoléu de Halicarnasso.

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Tendências

Magazine

Tendências

Tome um banho (de floresta)

Para fazer terapia, não é preciso deitar no divã. No Japão, o melhor método antiestresse é passear entre as árvores com os cinco sentidos bem aguçados.\n

Deixar a natureza entrar por todos os poros da pele”, eis o que significa o termo japonês Shinrin-Yoku, que designa uma terapia praticada por cerca de três milhões de pessoas, todos os anos, no país do sol nascente. A receita é simples: um passeio pela floresta. Uma conexão direta com a natureza por meio dos cinco sentidos. Ouvir o movimento das folhas, apreciar suas tonalidades, tocar árvores e pedras, respirar profundamente e evitar qualquer tipo de distração. São proibidos os aparelhos eletrônicos que interfiram neste diálogo com o ambiente. Cada passeio dura cerca de duas horas, é orientado por um monitor e inclui uma infusão de casca de árvore como recepção. É o quinto sentido, o gosto.\n

Os primeiros passos daquilo que hoje é conhecido como Shinrin-Yoku, ou banho de floresta, foram dados há mais de 30 anos no Japão (o governo cunhou o termo em 1982). No início, a prática inspirava-se em técnicas xintoístas e budistas, e há pouco mais de uma década os seus benefícios diretos para a saúde começaram a ser estudados: reduz a pressão sanguínea, baixa os níveis de glicose no sangue e fortalece o sistema imunitário. Yoshifumi Miyazaki, antropólogo da Universidade de Chiba, é o responsável pelos principais estudos sobre o Shinrin-Yoku.\n

Guias de floresta muito peculiares

A Association of Nature & Forest Therapy não apenas organiza banhos de floresta, mas também treina futuros guias. Os programas consistem em uma semana de imersão (na Califórnia, em Massachusetts, na Irlanda, em Ontário ou na Nova Zelândia) e, depois, mais seis meses de prática.\n

Os troncos de bambu chegam a 20m de altura em Arashiyama.

Em 2011 e depois de analisar o estado de saúde de centenas de pessoas após um banho de floresta, garantiu que os níveis de estresse podem ser aliviados com este tipo de terapia. “Ao longo da evolução, passamos 99,9% do nosso tempo em espaços naturais, razão pelo qual nossas funções fisiológicas continuam adaptadas a eles. Durante a vida cotidiana, podemos conseguir uma sensação de conforto se sincronizarmos nossos ritmos com os do meio ambiente que nos rodeia”, argumenta.

A Agência Florestal do Japão dispõe de uma rede de centros oficiais formada por meia centena de florestas, e a previsão é de que este número aumente nos próximos anos para responder à crescente procura pelos Shinrin-Yoku. A natureza nipônica oferece muitas possibilidades que contrastam com o ritmo agitado das suas grandes cidades. Algumas empresas incentivam seus trabalhadores a tomar um banho de floresta como método antiestresse. A uma hora e meia da capital, Tóquio, encontra-se o Parque Nacional Chichibu-Tama-Kai.
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Aromaterapia como remédio natural

Entre os benefícios do Shinrin-Yoku, também encontramos a aromaterapia, já que algumas árvores liberam óleos essenciais com diversas qualidades. No Japão, é comum utilizar o óleo de cipreste em tratamentos com umidificadores.\n

Foto:Shirakami Sanchi World Heritage_Japan

As florestas cobrem dois terços do território nipônico.

Um sistema montanhoso com a maior concentração de árvores de folha caduca de todo o país e uma escapada perfeita para mergulhar na natureza. As florestas de bambu, como Arashiyama em Quioto, também oferecem um ambiente adequado para esta terapia. O barulho do vento que circula entre os bambuzais foi votado pelos japoneses como um dos “100 sons do Japão que é preciso salvar”.

Os Estados Unidos não demoraram em adaptar esta ideia às suas florestas. Esta é a função da Association of Nature & Forest Therapy, fundada em 2012, com programas e passeios de “imersão” na Pensilvânia, Carolina do Norte, Califórnia… Não tão longe do Japão, na Coreia do Sul, também é habitual um retiro momentâneo em plena natureza. O National Forest Therapy Center promove o ecoturismo e facilita o acesso a espaços naturais para que se possa dar um “mergulho” entre as árvores ou, como dizem por lá, um salim yok.\n

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Banhos de floresta aumentam a atividade das células NK, que atuam na defesa do organismo.

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Foto: Sokcho Korea501room_Shutterstock.com

O Instituto Florestal da Coreia do Sul confirma os benefícios para a saúde dos banhos de floresta.

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Parede feita de quadrinhos

Os Smurfs, Lucky Luke, Asterix, Tintim… O roteiro da história em quadrinhos de Bruxelas permite ver todos eles.\n

O

s belgas inventaram o bombom pralinê. Por isso, não é por acaso que o aeroporto de Zaventem, em Bruxelas, na Bélgica, seja o lugar que mais venda chocolate em todo o mundo. Mas esta não é a única paixão ou o único recorde do país, já que conta com o maior número de criadores de histórias em quadrinhos por quilômetro quadrado. É uma verdadeira e incondicional prova de amor pela nona arte. Com mais de 50 fachadas ilustradas espalhadas por toda a cidade, Bruxelas homenageia os melhores autores e personagens da história em quadrinhos.

Esta modalidade tem uma longa tradição como linguagem artística na região. Seu nascimento está ligado à imprensa do início do século XX. A primeira história em quadrinhos do Tintim foi publicada em 1929 na revista Le Petit Vingtième. Assim, teve início a escola de Bruxelas, que marcaria todo um grupo de desenhistas das décadas de 40 e 50. A partir dos anos 60, séries como Blueberry (1963), escrita por Jean-Michel Charlier e ilustrada por Jean Giraud Moebius, passaram a ser marcadas pela audácia gráfica, uma das principais características das histórias em quadrinhos belgas até os dias de hoje.

Em Bruxelas, escolas, museus e lojas de quadrinhos misturam-se com murais de rua e galerias como a Petit Papiers, que expõem as tendências do setor. Tintim e Os Smurfs têm seus próprios espaços na Butique Tintin e na Smurf Store. A BD (abreviação de bande dessinée ou “história em quadrinhos” em francês), forma como a novela gráfica é conhecida em países francófonos, corresponde, na Bélgica, a mais de 80% do negócio editorial. Com mais de 230 milhões de exemplares vendidos, as edições do Tintim são as mais desejadas. Uma ilustração em nanquim de Tintim - A Estrela Misteriosa chegou aos 2,5 milhões de euros em um leilão.\n

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FOTO: BRUSSELS©O.VAN DE KERCHOVE

Certamente o mural mais visitado, Tintim o capitão Haddock ocupam um lugar de honra, entre a Prefeitura e a Grand Place

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Bruxelas desenha a sua melhor festa

O festival Fête de la BD Stripfest, realizado desde 2010, enche as ruas da cidade com fãs dos quadrinhos vindos de todo o mundo. Esta grande festa inclui desfiles, autógrafos de livros, workshops e exposições. Neste ano, o encontro acontece de 2 a 4 de setembro.\n

A ideia de pintar as fachadas da Bruxelas com personagens de histórias em quadrinhos surgiu em 1991, como uma solução alternativa para decorar paredes descobertas após a retirada de outdoors de muitos edifícios. O centro da cidade concentra a maior parte destes murais, em especial a zona entre a Grand Place, o bairro de Saint-Géry e o mirante do Palácio da Justiça. Para vê-las, você pode passear sem rumo pela cidade ou seguir as indicações de um roteiro organizado com a ajuda de um mapa.

O mural de Broussaille (Hergé), no qual o personagem aparece caminhando abraçado à sua namorada, poderia ser considerado o ponto inicial da rota. Localizado na Rue du Marché au Charbon, acabou sendo retocado em 1999 para tornar a imagem de Catherine mais feminina, já que os dois apareciam de calça e cabelo curto e, pela proximidade com o bairro gay, eram interpretados como um casal masculino.
 
No prédio em frente está o personagem Victor Sackville, famoso espião da Primeira Guerra Mundial. Já o painel dedicado a Quim e Filipe (Rue Haute) relembra o lado mais irreverente da juventude de Hergé. Poucos sabem que os dois jovens malandros aparecem nas edições Tintim no Congo e a A Estrela Misteriosa.\n

FOTO: SKYFISH/SHUTTERSTOCK.COM

No Balloon’s Day Parade, os gigantes dos quadrinhos sobrevoam a cidade.

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FOTO: BOTOND HORVATH/SHUTTERSTOCK.COM

O Centro Belga da BD é um museu para crianças de todas as idades.

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Símbolo de Bruxelas, a estátua de meio metro de um menino fazendo xixi, o Manneken Pis, fica ao lado de um dos murais mais populares. Nele, Tintim, Milu e o capitão Haddock (Rue de l’Etuve) aparecem descendo as escadas exteriores de um prédio em uma cena de O Caso Girassol. O cativante personagem Nero (Praça de Saint-Géry) marca presença perto do mercado de Les Halles. Lucky Luke, juntamente com a quadrilha dos irmãos Dalton, ocupa um prédio inteiro na Rue de la Buanderie. Nesta mesma rua, também é possível ver Asterix e Obelix, “esses gauleses loucos”, lutando contra os romanos.
 
O humor está presente na homenagem ao Manneken Pis feita pelos murais de Bob e Bobette e de Cubitus (Rue de Flandre). Já o mensageiro de hotel mais aventureiro de que temos notícias, Spirou, destaca-se entre as barracas da feira de antiguidades do bairro de Marolles.
 
As ruas não são as únicas vestidas com ilustrações: elas também estão presentes nas estações de metrô da cidade. Os fãs de Tintim não podem perder as da parada Stockel, com 140 figuras extraídas de 22 aventuras do jornalista mais viajado das histórias em quadrinhos.\n

No Centro Belga da BD, a arquitetura modernista serve de cenário para a nona arte. Tintim e Os Smurfs têm salas próprias. São mais de 1500 metros quadrados dedicados a personagens, histórias e autores das mais famosas histórias em quadrinhos. O grande foguete de Rumo à Lua, de Tintim, preside a entrada deste emblemático edifício de Victor Horta.\n

Objetivo: amar a história em quadrinhos

Mais de 50 fachadas homenageiam os melhores autores e personagens das histórias em quadrinhos

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Vendo a vida em cor-de-rosa

Já cantava a francesa Edith Piaf, que não há nada como ver “a vie en rose”. Alguns lugares tomam a frase ao pé da letra.

Fuji Shibazakura Festival (Japão)

Um tapete colorido estende-se aos pés do Monte Fuji entre abril e maio. São cerca de 800 000 flores de musgo cor-de-rosa (shibazakura) que florescem nesta altura do ano.

Pink Beach (Komodo, Indonésia)

A cor tem uma explicação simples: é a mistura de areia branca e pigmentos vermelhos de coral. Fica no Parque Nacional de Komodo, casa do maior lagarto do mundo.

Lagoa Colorida (Uyuni, Bolívia)

A lagoa boliviana nem sempre é de cor avermelhada: durante o verão torna-se cor-de-rosa graças à presença de milhares de flamingos andinos. É o seu local de criação.

Mezquita de Putra (Putrajaya, Malásia)

Conhecida como a Mesquita Rosa, pode ser vista desde quase todos os lados do rio Putrajaya graças a uma cúpula inconfundível, cuja construção ficou concluída em 1999.

Lago Hillier (Ilha Middle, Austrália)

Mede 600 m de comprimento e aparece pela primeira vez nos diários do explorador Flinders, em 1802. A sua pigmentação incomum resulta da presença de bactérias nas suas águas salgadas.

Jaipur (Rajastão, Índia)

É a cor da hospitalidade. Por isso, o marajá pintou a cidade, desde o Palácio Hawa Mahal até às muralhas, para a visita do Príncipe Alberto Eduardo em 1876.

A alternativa ao sakura

Na casa do dragão

Rosa e vermelho, as cores da moda

De granito rosado

Um lago da cor da pastilha elástica

A cidade cor-de-rosa

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Para fãs do cineasta Tim Burton

Dedicado ao diretor de “O Estranho Mundo de Jack” e “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, o bar Beetle House (Nova York, Estados Unidos) é uma homenagem às “coisas obscuras e encantadoras”. Deixe-se envolver pelo universo de Burton experimentando o coquetel This is Halloween ou o hambúrguer Eduardo Mãos de Tesoura. Além do cardápio, a decoração do estabelecimento também está relacionada com o diretor e seus filmes.\n

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Tobogã para adultos

O tobogã mais alto e comprido do mundo fica na torre ArcelorMittal Orbit de Londres (Reino Unido), com 76 metros de altura e 178 metros de extensão. A descida, que está cheia de curvas e loops, dura apenas 40 segundos. Mas você pode aproveitar esse período para abrir os olhos e contemplar a vista panorâmica única da cidade através de suas proteções envidraçadas. A altura mínima para poder curtir essa atração é 1,30 metro.\n

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Amish por um dia

Lancaster (Pensilvânia, Estados Unidos) é um território amish por excelência. Fora da cidade, afastada de todas as comodidades e tecnologias do mundo atual, esta comunidade autossuficiente abre as portas para o mundo por meio da The Amish Experience. O tour VIP inclui visitas a uma fazenda, a uma casa e a uma fábrica artesanal de diferentes produtos: queijo, presunto, brinquedos, etc. Será que você sobreviveria a algumas horas sem celular?\n

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Arte luminosa

Os porões lúgubres da antiga fábrica de cerveja de Unna (Alemanha) acolhem o Centre for International Light Art, primeiro museu de arte luminosa do mundo. O ruído das máquinas e dos trabalhadores foi substituído pelo dos visitantes, que podem curtir este espetáculo visual. Conta com 14 coleções permanentes e várias salas com mostras temporárias.\n

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Cabaré robótico

No Robot Restaurant, localizado no bairro de Shinjuku (Tóquio, Japão), assista a um espetáculo de música e cores durante o jantar. Até aqui, tudo normal. Mas a coisa muda de figura quando chegam os grandes protagonistas do show: robôs gigantes com forma de mulheres de biquíni. A entrada para uma das quatro sessões do evento, programadas entre as 16h e as 23h, custa oito mil ienes.\n

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Almofadas Ostrich Pillow

Estas originais almofadas unem design e praticidade para permitir que você tire uma soneca em qualquer lugar. Há um modelo que cobre toda a cabeça e o Ostrich Pillow Light, um pouco mais discreto. Feitos pela empresa Kawamura-Ganjavian para o estúdio Banana Things, são preenchidas com partículas de silicone que ajudam a reduzir o barulho do ambiente.\n

Antena portátil GoTenna

Este acessório mantém você conectado em zonas onde não há cobertura telefônica nem rede Wi-Fi. Ao ser conectada via Bluetooth a dispositivos móveis, permite uma comunicação ponto a ponto, no estilo walkie-talkie, para que seja possível trocar mensagens ou localização GPS. Perfeito para excursões e esportes ao ar livre.\n

Mochila HP Powerup

Com esta mochila, que oculta uma bateria de 22.400 mAh, você terá energia suficiente para carregar um laptop, três tablets e dez smartphones. Vem com cabos incluídos e toda acolchoada por dentro para proteger os dispositivos.\n

Livro “Off the Road”

Livro “Off the Road”

Cada vez mais pessoas decidem se perder na natureza com a ajuda de um veículo que se transforma em cama, cozinha, meio de transporte e amigo. Este livro da editora Gestalten é uma coleção de viagens em busca de paz e aventura por montanhas e desertos.\n

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